Tudo começou quando meu amigo Sérgio Cemin me convidou para ser mentor no Lawtech Floripa Hackathon 2018, o que viria a ser minha primeira experiência como mentor. Aceitei de pronto, como bom gaúcho, sempre tive uma queda pela beleza natural e energia de Floripa, além disso, poderia visitar alguns amigos que fiz no CLA Sul(evento realizado pela Techstars, para formação de líderes de comunidades de RS-SC-PR).

Passados alguns dias, descubro que o Startup SC Summit, evento voltado a inovação e startups aconteceria na semana pós Hackathon. Era a deixa que eu procurava para conhecer melhor a comunidade de SC, e assim, fechei a agenda do dia 06 a 15/07 para imergir na Ilha do Silício, e conhecer um pouco mais da sua cultura e pessoas.

E assim foi, era sexta feira, dia de Brasil X Bélgica, pegamos a estrada rumo ao Sebrae Florianópolis, onde assistiríamos o jogo junto a organização do Hackathon, ali já começamos a sentir a energia do pessoal, e tivemos a certeza que seria um final de semana daqueles.

Mentoria sobre Modelo de Negócios
Mentoria sobre Modelos de Negócios

Começou o Hackathon, pessoas ligadas ao direito, de todas as camadas e esferas, desde estudantes, estagiários, servidores públicos do MP, TJ, Juízes, mulheres, homens, diversidade de verdade! Como mentor, tive a feliz oportunidade de me conectar e trocar muito conhecimento com grande parte deles, conheci pessoas incríveis e com quem certamente manterei contato, fui surpreendido por um acolhimento fantástico de toda a comunidade, um final de semana memorável.

Começava a segunda feira, e estávamos conhecendo a sede de um startup que além de nossa fornecedora, é também uma grande parceira, a Exact Sales, onde o Alexandre e a Flávia nos recebiam. Tivemos uma aula sobre a cultura da empresa e sobre pré vendas, além de uma excelente oportunidade de entender melhor o dia a dia dessa galera, que já conta com mais de 50 colaboradores e avançou algumas casas nesse jogo de zero to hero…

Terça feira, rumamos a Joinville, afinal, se Caxias do Sul é o segundo maior pólo metalmecânico do país, este pessoal é o terceiro, e está bem próximo de nós. Almoçamos com Ismar Marquardt, sócio do Coworking XYZ, que nos contou um pouco sobre as iniciativas que vem acontecendo por lá, e os desafios que vem enfrentando, e logo após fomos a Incubadora Softville, onde a coordenadora Luiza Pedroso nos apresentou mais sobre o projeto, que passou por uma completa reformulação de cultura e método a pouco tempo atrás. Conheci os projetos que estão acontecendo lá dentro, e reparei que a interação entre as startups é a base da cultura que permeia este estado, e quanto mais as startups puderem se ajudar nos processos de crescimento, ao invés de cada uma se fechar e construir seu próprio método, mais o desenvolvimento mútuo acontece.

Visita ao Perini Business Park
Visita ao Perini Business Park

Ainda em Joinville, saímos rumo ao Perini Business Park, que sedia mais de 160 empresas, e uma unidade da UFSC, com diversos cursos de engenharia, em um parque com mais de 2,6 milhões de m², sendo composto por mais de 60% de indústrias, e responsável por mais de 20% do PIB da cidade, um gigante. Lá fomos recebidos pelo Alison Takano e Wagner Krelling, responsáveis respectivamente pelo parque Perini e pelo Àgora Tech Park, projeto de um parque tecnológico dentro do Perini, que irá sediar startups, principalmente voltadas à indústria, além de incubadoras, aceleradoras, coworkings e centros de pesquisa, além de outros negócios de cunho tecnológicos. E um primeiro cliente já está garantido, o Conta Azul, startup que já fica dentro do parque, que já levantou mais de U$$100 milhões em rodadas de investimentos, e emprega mais de 360 pessoas, irá possuir um espaço de 9.200m² deste empreendimento, uma movimentação que reforça a visão da cidade de Joinville para se tornar uma referência como pólo tecnológico do país.

 

Quarta feira começou, e estávamos visitando o instituto Senai de Inovação, que fica no Sapiens Park, espaço com propósito de concentrar as empresas de base tecnológica instaladas em Florianópolis, bem no norte da ilha no acesso a praia de Canasvieiras. Lá os responsáveis Danielle Ramos e o Eliel Wosniak nos explicaram sobre os projetos que estão acontecendo no local, fiquei impressionado com a cara de startup que o Senai tem aqui, e pelo andar da carruagem, a simbologia realmente parece funcionar…

Após isso, fomos a Softplan, empresa com mais de 1,2 mil funcionários, e que já foi extremamente tradicional; vende softwares para a justiça brasileira, e hoje é um case de sucesso em inovação. Lá fomos recebidos pela Júlia Fulco(que inclusive tem família e já morou em Caxias), responsável pela Construtech Ventures, uma venture builder de verdade (empresa que adquire uma parte considerável do percentual de um negócio incipiente, e trabalha junto ao empreendedor para fazer o negócio acontecer), que pertence a Softplan, e está passando por um processo de Spin-off(separação do negócio anterior para se tornar um novo). Lá dentro pude conhecer alguns dos empreendedores que estão trabalhando nestes projetos, e neste momento volto a frisar o nível de troca que existe nestes ambientes, ninguém procura inventar a roda, se o colega do lado acabou de passar pela mesma dor que você, ele irá lhe contar melhor sobre suas experiências, e lhe ajudará a solucionar da melhor forma possível. Isso realmente parece ser a base da cultura daqui.

Visita a Fábrica, espaço de Coworking/Bar.
Visita a Fábrica, espaço de Coworking/Bar.

Finalizadas as visitas as empresas da região, fomos conhecer um Working Bar, chamado A Fábrica, do amigo Arthur Lawrence, um lugar com a cara de Floripa, juntando a energia de trabalho de um coworking com a descontração de um bar, um conceito fantástico! Após alguns chopps servidos através da startup de um empreendedor local, a Mytap, do João Bodanese, fomos para casa descansar, apreciando a vista da beira mar norte.

 

Eram 9 horas da manhã, quinta feira, estávamos entrando pelos portões do SC Summit, e já dava pra sentir a energia, vamos ao evento;

Muito conteúdo de qualidade (alguns nem tanto, faz parte), mais de 8 palcos simultâneos e muito networking, era isso que o espaço disponibilizava, e além de tudo, neste dia tínhamos uma missão; estávamos entre as 30 selecionadas do programa Like a Boss do Sebrae para uma das 6 vagas para a final nacional, que ocorre em novembro, na CASE(Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo) em SP, e lá fomos nós dar o nosso Pitch de 4 minutos, para uma banca de 5 jurados extremamente importantes do ecossistema Catarinense, o resultado sairia na sexta. Fomos para mais conhecimento em palestras, e o pessoal do Elekfantz encerrou o dia com um set de música eletrônica de muita qualidade, junto ao chopp que era consumido pelas pessoas que se divertiam enquanto compartilhavam entre sí suas experiências do dia.

Pitch feito no Like A Boss!
Pitch feito no Like A Boss!

Sexta feira, eram 12;53, quando todos participantes do Like a Boss aguardavam o resultado, e lá estava o Agente G, em nossa primeira participação, fomos uma das 6 startups selecionadas para a final em SP! Confesso que isso dá um gás danado, tudo que precisamos pra seguirmos firmes e fortes em nosso objetivo. Passada a euforia, seguimos buscando conhecimento!

Ao final de tudo, participei junto ao pessoal do Dazideia, de uma das ações que eles desenvolveram dentro do evento, abrindo espaço para o pessoal falar sobre seus projetos, e receber feedback do pessoal que está por ali, inclusive encontrei um rapaz de Caxias do Sul dando seu pitch. Agora que conheci mais a fundo o projeto, já posso dizer com certeza, aguardem que o Dazideia irá vir forte para Caxias do Sul 😉

Seguimos visitando mais alguns estandes, e encerramos o evento com uma palestra da Camila Farani, uma das Sharks do programa Shark Tank, Negociando com Tubarões, que falou sobre a importância da negociação, uma verdadeira aula! Todos liberados, fomos conduzidos para o espaço onde era oferecido chopp aos participantes, e uma boa dose de Rock nacional e internacional, para encerrar o evento com chave de ouro.

Finalizado o evento, aproveitemos para dar um descanso no sábado e domingo, aproveitar um pouco da energia natural que essa cidade emana, e realmente parar pra analisar tudo que havíamos vivenciado nestes 10 dias de imersão, deixo aqui então algumas conclusões e reflexões sobre isso:

Juntos somos mais fortes: O espírito de cooperação é o que faz este estado mais forte, de nada adianta sermos inteligentes e fortes, se mantemos um espírito de competitividade com o colega ao lado, pessoal, nossos competidores estão espalhados pelo mundo inteiro, vamos nos unir!

Portas abertas, SEMPRE! Visitei mais de 10 lugares no tempo que estive em SC, e em TODOS lugares que entrei em contato, recebi uma resposta simples: Venha, nossas portas estão abertas! De nada adianta criarmos espaços “abertos” e “Colaborativos”, se as portas estão trancadas, se precisamos de autorização, ou qualquer outro tipo de barreira para entrada, é sobre ABRIR PORTAS, e não sobre fecha-las.

Basicamente é isso, não existe fórmula mágica, acredito que o que precisamos para tornar nossa região e nosso estado mais prósperos para os próximos anos, é aliar nossa capacidade técnica, máquinas e equipamentos já instalados com essa energia que vem das startups, e das pessoas que acreditam poder mudar o mundo. Precisamos ser ousados e gerar bons cases locais, para que estes possam incentivar, e fazer o “give back”, ou seja, possam retribuir para quem estiver começando, fazendo essa troca de conhecimento, experiências e até mesmo investimento para alavancar estes negócios insipientes, e precisamos fazer isso AGORA. Pois se continuarmos demorando a nos movimentar, iremos continuar perdendo espaço e cases de sucesso para cidades como Florianópolis, Joinville, São Paulo, Palhoça, enfim…

Assim que realizar minhas próximas “expedições”, compartilho um pouquinho do que podemos aprender com nossos colegas mais adiantados.

#ATÉBREVEFLORIPA

#OBRIGADOPELOCARINHO

#AVANTESERRAGAÚCHA